Acaz
acordou sobressaltada naquela madrugada, nunca a capital ouvira tantas sirenes,
qualquer um que olhasse através de sua janela via carros de bombeiros passando apressados,
um perímetro gigantesco fora isolado e evacuado, inclusive dos moradores e da
imprensa. Quando Gabriel chegou, vinte minutos depois, estava impressionado com
o tamanho das labaredas que apareciam em sua frente, era certamente o maior
incêndio da história mesmo que fosse o incêndio em um prédio só. O ministro da
defesa foi imediatamente a base de comando montada em um dos veículos militares
ali presentes e falou diretamente ao comandante da operação.
- Que horas começou?
- Fomos chamados há uns 20 minutos.
- E os andares inferiores?
- Não sabemos, porque não conseguimos passar
ainda da parte visível do prédio, mas aparentemente este incêndio começou
nestes andares inferiores pois chegou aqui com muita força.
- Algum sobrevivente?
- Não soubemos de ninguém, o prédio não estava
vazio?
- Moravam em torno de cento e cinquenta pessoas
aqui, trabalhando dia e noite, fora os que resolviam passar a noite trabalhando
ou passavam somente conferir algum resultado.
- Não vi ninguém saindo, o alarme não soou e quando
chegamos só encontramos populares impressionados com o tamanho das chamas. Foi
por causa deste incêndio que os voos foram suspensos?
- Não suspendi os voos.
- Estranho, o avião da minha filha não decolou,
disseram para ela que todos os voos estavam suspensos.
- Vou verificar isto também, obrigado.
O ministro não podia acreditar no que via,
pensando no que fazer, imaginando sobre o quanto era insubstituível tudo que
aquele prédio abrigava e representava. Aos bombeiros restava
evitar que o fogo se alastrasse as construções vizinhas. Gabriel percebeu que de todos os ministros apenas ele estava
no local e telefonou ao ministro da ciência e tecnologia:
- Carlos, onde você esta?
- Em casa Gabriel, são quatro da manhã.
- Ninguém te avisou?
- Do que?
- Que seu prédio mais importante esta pegando
fogo.
- O que? Como?
- Sim Carlos, o IACNTA esta agora se consumindo
em chamas na minha frente.
- Aquele prédio tem 12 sistemas independentes
de contensão de incêndio, três alarmes com processamento e funcionamento diferente,
todos avisam os bombeiros e a polícia de qualquer falha e tem 150 funcionários
que moram permanentemente no lugar se revezando em turnos. É impossível
Gabriel.
- Não é impossível Carlos, eu estou vendo em
minha frente o prédio se consumindo. Agora me diga. O que você ainda esta
fazendo na cama que não estou te vendo aqui?
- Estou indo pra ai.
- Carlos, o servidor principal de
armazenamento, temos um Backup fora do prédio?
- Sim, apesar da segurança e de eu nunca achar
necessário, ha um ano atrás cedi as insistentes solicitações de Robert, que
achava que arquivos tão importantes não poderiam ser armazenados em um só lugar
e foi então criado um outro servidor que fica no subsolo do comando central de
quartéis.
- Ótimo Carlos, foi de muita utilidade.
Movido por uma inquietude, Gabriel saiu em
direção ao quartel central, não havia ninguém na portaria e nenhum soldado de
vigia em lugar nenhum do quartel. O ministro não pode acreditar no que viu
conforme adentrava o complexo, o prédio principal ardia em chamas e por ser
isolado de qualquer residência, os bombeiros não foram sinalizados, ele
conhecia profundamente a segurança do prédio, sabia dos sistemas de segurança e
de incêndio, “Como isto é possível? Tantos sistemas falhando. Onde estão os
militares daqui? Por que Miguel não atende o celular?”. Ligou ao comandante
geral dos bombeiros que estava acompanhando a operação no IACNTA:
- Mande todos os caminhões que ainda sobraram
ao quartel central.
- Mas o que?
- O prédio principal esta em chamas, preciso de
todo contingente possível aqui.
- Estamos com 70% da frota no IACNTA, não temos
caminhões disponíveis, além disto, os militares tem sua própria brigada.
- Comandante, é uma ordem, não quero sequer um
civil sendo atendido hoje, mantenha seus 70%¨ai e mande os outros 30% para cá
imediatamente.
- Sim senhor.
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