terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 9


Acaz acordou sobressaltada naquela madrugada, nunca a capital ouvira tantas sirenes, qualquer um que olhasse através de sua janela via carros de bombeiros passando apressados, um perímetro gigantesco fora isolado e evacuado, inclusive dos moradores e da imprensa. Quando Gabriel chegou, vinte minutos depois, estava impressionado com o tamanho das labaredas que apareciam em sua frente, era certamente o maior incêndio da história mesmo que fosse o incêndio em um prédio só. O ministro da defesa foi imediatamente a base de comando montada em um dos veículos militares ali presentes e falou diretamente ao comandante da operação.
- Que horas começou?
- Fomos chamados há uns 20 minutos.
- E os andares inferiores?
- Não sabemos, porque não conseguimos passar ainda da parte visível do prédio, mas aparentemente este incêndio começou nestes andares inferiores pois chegou aqui com muita força.
- Algum sobrevivente?
- Não soubemos de ninguém, o prédio não estava vazio?
- Moravam em torno de cento e cinquenta pessoas aqui, trabalhando dia e noite, fora os que resolviam passar a noite trabalhando ou passavam somente conferir algum resultado.
- Não vi ninguém saindo, o alarme não soou e quando chegamos só encontramos populares impressionados com o tamanho das chamas. Foi por causa deste incêndio que os voos foram suspensos?
- Não suspendi os voos.
- Estranho, o avião da minha filha não decolou, disseram para ela que todos os voos estavam suspensos.
- Vou verificar isto também, obrigado.

O ministro não podia acreditar no que via, pensando no que fazer, imaginando sobre o quanto era insubstituível tudo que aquele prédio abrigava e representava. Aos bombeiros restava evitar que o fogo se alastrasse as construções vizinhas.  Gabriel percebeu que de todos os ministros apenas ele estava no local e telefonou ao ministro da ciência e tecnologia:
- Carlos, onde você esta?
- Em casa Gabriel, são quatro da manhã.
- Ninguém te avisou?
- Do que?
- Que seu prédio mais importante esta pegando fogo.
- O que? Como?
- Sim Carlos, o IACNTA esta agora se consumindo em chamas na minha frente.
- Aquele prédio tem 12 sistemas independentes de contensão de incêndio, três alarmes com processamento e funcionamento diferente, todos avisam os bombeiros e a polícia de qualquer falha e tem 150 funcionários que moram permanentemente no lugar se revezando em turnos. É impossível Gabriel.
- Não é impossível Carlos, eu estou vendo em minha frente o prédio se consumindo. Agora me diga. O que você ainda esta fazendo na cama que não estou te vendo aqui?
- Estou indo pra ai.
- Carlos, o servidor principal de armazenamento, temos um Backup fora do prédio?
- Sim, apesar da segurança e de eu nunca achar necessário, ha um ano atrás cedi as insistentes solicitações de Robert, que achava que arquivos tão importantes não poderiam ser armazenados em um só lugar e foi então criado um outro servidor que fica no subsolo do comando central de quartéis.
- Ótimo Carlos, foi de muita utilidade.

Movido por uma inquietude, Gabriel saiu em direção ao quartel central, não havia ninguém na portaria e nenhum soldado de vigia em lugar nenhum do quartel. O ministro não pode acreditar no que viu conforme adentrava o complexo, o prédio principal ardia em chamas e por ser isolado de qualquer residência, os bombeiros não foram sinalizados, ele conhecia profundamente a segurança do prédio, sabia dos sistemas de segurança e de incêndio, “Como isto é possível? Tantos sistemas falhando. Onde estão os militares daqui? Por que Miguel não atende o celular?”. Ligou ao comandante geral dos bombeiros que estava acompanhando a operação no IACNTA:
- Mande todos os caminhões que ainda sobraram ao quartel central.
- Mas o que?
- O prédio principal esta em chamas, preciso de todo contingente possível aqui.
- Estamos com 70% da frota no IACNTA, não temos caminhões disponíveis, além disto, os militares tem sua própria brigada.
- Comandante, é uma ordem, não quero sequer um civil sendo atendido hoje, mantenha seus 70%¨ai e mande os outros 30% para cá imediatamente.
- Sim senhor.

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