terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 11


Gabriel voltou à mesa de interrogatório, tinha tanto ódio em seus olhos que todos os presentes se assustaram. Ordenou a um de seus assessores que solicitasse a imediata presença dos antigos membros da guarda imperial. Foi então tomado por uma percepção que ainda não tinha tido, percebeu que não via ali nenhum dos cientistas do IACNTA e enquanto pensava nisto recebeu a noticia de que a biblioteca central e o museu imperial agora eram apenas cinzas. Tudo perdia o sentido, “por que uma biblioteca e um museu?”.
Chamou o outro homem que estava vestido com roupas de guarda apenas para constatar o que já sabia, que ele era vigia noturno da biblioteca central e que ele não sabia de absolutamente nada. Quase simultaneamente um soldado anunciou que a área 32 já não existia mais e que nenhum computador do império conseguia acessar o servidor central, sendo que os computadores das bases invadidas estavam todos inutilizados. O telefone de Gabriel tocou:
- Fale Miguel.
- Não temos mais caças e mesmo seguindo as suas ordens às bases continuam a perder comunicação.
- Quantos caças havia na Área 32?
- Em torno de 300
- Sumiram ou foram destruídos?
- Sumiram
- Tire todos os aviões que puder do chão e tranque a base de Arkhiz para que somente minha senha possa liberá-la.
- Tem mais uma coisa.
- O que?
- Não conseguimos achar nenhum dos antigos membros da guarda imperial. Eles, suas famílias e sua mobília desapareceram.
- E os cientistas do IACNTA?
- Sumiram todos, inclusive os que não estavam de serviço, suas famílias e todos os seus pertences, inclusive a mobília.
- Nada some assim, tem que estar em algum lugar. Miguel, é seu trabalho descobrir o que esta acontecendo, quem esta nos atacando e o que este invasor quer.
- Estou tentando, mas não há sequer um registro, não sabemos nada, é como se o invasor não existisse, como um fantasma.
- Hora, garanto que é bem real, a nossa frota esta desaparecendo debaixo de nossos pés. Descubra alguma coisa sobre ele e faça o favor de enviar alguém para se certificar de que o imperador continua em seus aposentos porque sinceramente a esta altura é só o que nos falta.
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Arkhiz era a maior cidade do oriente e concentrava a segunda base militar mais importante do império que agora era a maior esperança do Ministro de obter algum sucesso, era equipada com sistema de segurança que permitia seu travamento e liberação apenas com o reconhecimento da digital do ministro da defesa ou do próprio imperador.
Por ordens de Gabriel os principais arquivos eram armazenados apenas nos servidores da capital, ele achava que servidores em pontos fora de sua visão poderiam deixar os arquivos vulneráveis, o que ele não contava é que alguma coisa fosse capaz de destruir os equipamentos em Uranak e atrasar o desenvolvimento científico do império em quase dois séculos. Havia projetos e criações que nunca mais seriam recuperados.
Por todo império populares relatavam intensa movimentação de aeronaves militares principalmente próximas aos quartéis, Gabriel logo percebeu que eles perdiam comunicação logo após os relatos e passou a ordem de que ligassem os radares de guerra que obtinham leituras de baixa frequência e poderiam detectar até as naves mais modernas recém-saqueadas do quartel central.
Gabriel que a esta altura já estava no centro de comando foi chamado à sala de interrogatório, havia uma testemunha, Alfred encontrado em Morristown:
- Boa tarde, sou Gabriel, ministro da defesa, me disseram que o senhor viu os invasores.
- Sim, a sala de segurança em Morristown é a prova de som e de balas e tem sua ventilação própria, eu vi todos desmaiando e homens vestidos totalmente de preto com capuzes tampando o rosto entrando em seguida com táticas militares, atrás deles entraram homens de pele vermelha que se moviam como animais, nunca vi nada parecido e um homem com uma roupa branca. Tentei acionar o alarme, mas ele não funcionou, então subi ao duto de ventilação e fiquei lá escondido, os homens de preto falavam nossa língua, mas os de pele vermelha falavam um dialeto que nunca ouvi.
- Não era Ajuá?
- Com certeza não, meu irmão vende produtos de tecnologia e já fui com ele a Lísias várias vezes, te asseguro que não era Ajuá.
- E como eles se entendiam?
- O homem de branco traduzia e ...
De súbito todos na sala dormiram e quando acordaram a testemunha não estava mais lá, haviam se passado 5 horas e foi então que Gabriel percebeu que em qualquer lugar em que estivessem estavam desprotegidos e que se os estranhos assim quisessem, ele já estaria morto.

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