Gabriel voltou à mesa de interrogatório, tinha tanto ódio em
seus olhos que todos os presentes se assustaram. Ordenou a um de seus
assessores que solicitasse a imediata presença dos antigos membros da guarda
imperial. Foi então tomado por uma percepção que ainda não tinha tido, percebeu
que não via ali nenhum dos cientistas do IACNTA e enquanto pensava nisto
recebeu a noticia de que a biblioteca central e o museu imperial agora eram
apenas cinzas. Tudo perdia o sentido, “por que uma biblioteca e um museu?”.
Chamou o outro homem que estava vestido com
roupas de guarda apenas para constatar o que já sabia, que ele era vigia
noturno da biblioteca central e que ele não sabia de absolutamente nada. Quase
simultaneamente um soldado anunciou que a área 32 já não existia mais e que
nenhum computador do império conseguia acessar o servidor central, sendo que os
computadores das bases invadidas estavam todos inutilizados. O telefone de
Gabriel tocou:
- Fale Miguel.
- Não temos mais caças e mesmo seguindo as suas
ordens às bases continuam a perder comunicação.
- Quantos caças havia na Área 32?
- Em torno de 300
- Sumiram ou foram destruídos?
- Sumiram
- Tire todos os aviões que puder do chão e
tranque a base de Arkhiz para que somente minha senha possa liberá-la.
- Tem mais uma coisa.
- O que?
- Não conseguimos achar nenhum dos antigos
membros da guarda imperial. Eles, suas famílias e sua mobília desapareceram.
- E os cientistas do IACNTA?
- Sumiram todos, inclusive os que não estavam
de serviço, suas famílias e todos os seus pertences, inclusive a mobília.
- Nada some assim, tem que estar em algum lugar.
Miguel, é seu trabalho descobrir o que esta acontecendo, quem esta nos atacando
e o que este invasor quer.
- Estou tentando, mas não há sequer um
registro, não sabemos nada, é como se o invasor não existisse, como um
fantasma.
- Hora, garanto que é bem real, a nossa frota
esta desaparecendo debaixo de nossos pés. Descubra alguma coisa sobre ele e
faça o favor de enviar alguém para se certificar de que o imperador continua em
seus aposentos porque sinceramente a esta altura é só o que nos falta.
--
Arkhiz era a maior cidade do oriente e
concentrava a segunda base militar mais importante do império que agora era a
maior esperança do Ministro de obter algum sucesso, era equipada com sistema de
segurança que permitia seu travamento e liberação apenas com o reconhecimento
da digital do ministro da defesa ou do próprio imperador.
Por ordens de Gabriel os principais arquivos
eram armazenados apenas nos servidores da capital, ele achava que servidores em
pontos fora de sua visão poderiam deixar os arquivos vulneráveis, o que ele não
contava é que alguma coisa fosse capaz de destruir os equipamentos em Uranak e
atrasar o desenvolvimento científico do império em quase dois séculos. Havia projetos
e criações que nunca mais seriam recuperados.
Por todo império populares relatavam intensa
movimentação de aeronaves militares principalmente próximas aos quartéis,
Gabriel logo percebeu que eles perdiam comunicação logo após os relatos e
passou a ordem de que ligassem os radares de guerra que obtinham leituras de
baixa frequência e poderiam detectar até as naves mais modernas recém-saqueadas
do quartel central.
Gabriel que a esta altura já estava no centro
de comando foi chamado à sala de interrogatório, havia uma testemunha, Alfred
encontrado em Morristown:
- Boa tarde, sou Gabriel, ministro da defesa, me
disseram que o senhor viu os invasores.
- Sim, a sala de segurança em Morristown é a
prova de som e de balas e tem sua ventilação própria, eu vi todos desmaiando e
homens vestidos totalmente de preto com capuzes tampando o rosto entrando em
seguida com táticas militares, atrás deles entraram homens de pele vermelha que
se moviam como animais, nunca vi nada parecido e um homem com uma roupa branca.
Tentei acionar o alarme, mas ele não funcionou, então subi ao duto de
ventilação e fiquei lá escondido, os homens de preto falavam nossa língua, mas
os de pele vermelha falavam um dialeto que nunca ouvi.
- Não era Ajuá?
- Com certeza não, meu irmão vende produtos de
tecnologia e já fui com ele a Lísias várias vezes, te asseguro que não era
Ajuá.
- E como eles se entendiam?
- O homem de branco traduzia e ...
De súbito todos na sala dormiram e quando
acordaram a testemunha não estava mais lá, haviam se passado 5 horas e foi
então que Gabriel percebeu que em qualquer lugar em que estivessem estavam
desprotegidos e que se os estranhos assim quisessem, ele já estaria morto.
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