terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 12


- Estive no palácio e Ana conferiu, o imperador permanece em seus aposentos.
- Ela entrou lá?
- Sim
- Ao menos uma boa notícia.
- Devemos avisa-lo sobre o que está acontecendo?
- Não, não há nada que ele possa fazer. Prepare meu voo para o oriente. E cancele todos os voos para fora do planeta.
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Gabriel começava a traçar novos planos, iria inventariar as aeronaves que ainda tinha e fazer a guerra com elas, afinal, ele era um grande general como seu avo foi. Durante o voo se entreteve com lembranças da infância e das brincadeiras com seu amigo que viria a ser imperador e também com pensamentos orgulhosos imaginando Abiatar cativa após sua tomada.
Arkhiz nunca recebera alguém tão ilustre, seus aposentos eram simples e suas salas pequenas, seus cidadãos eram muito humildes e os que ali trabalhavam tinham uma maneira chula de falar que não lembrava nem vagamente a elegância da corte. Mesmo com a comida escassa e de baixa qualidade, o comandante da base preparou um banquete ao ministro que chegava, obviamente o mesmo não apreciou como deveria, mas como não viera para comer fingiu que não notava o gosto estranho daquele jantar que mais parecia advindo de um restaurante popular da capital. Ele logo encheu de ordens a todos naquela base e inventariou todos os equipamentos, máquinas e aeronaves de todas as bases do oriente. “Se este invasor acha que vai evitar que eu siga com os meus planos está muito enganado.”
Miguel se via com muitas atribuições e os últimos acessos de raiva de Gabriel começavam a incomoda-lo, no entanto era ainda fiel ao primo que o pusera no cargo, desconfiado do conhecimento dos invasores mandou por conta própria espiões e câmeras a vigiar o palácio e todos os outros ministros, embora não soubesse com o que estava lidando tinha o palpite de que as investigações diriam.
Os protestos voltaram a acontecer por todas as partes, os jovens achavam que era intenção do governo aliena-los com a destruição de tantos museus que guardavam obras de arte, em uma confusão em frente ao palácio, estudantes tentaram invadi-lo e só recuaram quando os militares atiraram contra eles ferindo dezenas e matando quatro jovens. O caso foi rapidamente negado a imprensa e as testemunhas ameaçadas a ficarem quietas, mas as coisas estavam saindo do controle e o ministro que assumira o governo interino ainda não voltara de Arkhiz. Na verdade ele aproveitou para visitar outras bases naquela região e para buscar alguns cientistas nas universidades para uso do governo. “mais seis meses e estaremos prontos” pensava.
- Gabriel, que bom que atendeu.
- Fale Miguel.
- Chegou um comunicado de Ajuá.
- E o que diz.
- Sumiram dezoito containers de Pyripta que eram destinados a nós, sobrou somente o que eles precisam para uso próprio.
- Hora, ofereça o valor que eles quiserem, mas faça-os vender.
- Eles não querem, disseram que faz parte da crença deles vender somente o excedente.
- Temos urânio?
- Tem muito; mas aquece demais.
- Pedirei a alguns cientistas daqui que criem dissipadores fortes e compactos para os geradores dos aviões, peça que façam as pastilhas de urânio do tamanho das de Pyripta.
- Mas e os carros do povo? E o que faríamos com o lixo que ele gera?
- Racione a Pyripta que temos, guarde metade do estoque aos aviões mais modernos que não aguentariam utilizar urânio e subsidie derivados de petróleo a quem tem veículos capazes de utiliza-los. Quanto ao lixo atômico nos preocupamos depois.
- Não é suficiente, o império vai parar.
- São problemas com que temos que lidar, faça o que te digo, quando meu plano estiver completo teremos toda Pyripta que precisarmos. Vou te enviar algumas ordens por e-mail, são de extrema importância.
- Estou no aguardo.
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A administração da revolta principalmente dos moradores da capital e seu entorno, estava consumindo toda atenção dos militares e ministros, as medidas do imperador tinham amenizado muito a crise, mas agora tudo voltava a declinar e o início do racionamento de combustíveis gerou uma alta geral nos preços. Alheio a isto, Gabriel permanecia em Arkhiz onde se dedicava exclusivamente a reconstrução e reformulação do exército.
Dois meses se passaram  e uma reunião de cúpula fez o ministro retornar a capital, a cidade que outrora fora a mais bela e cheia de vida de Acaz agora jazia escura e cheia de pedintes e revoltos.
Há pelo menos cinquenta anos que nenhum carro usava outro combustível que não Pyripta que durava muito tempo e não deixava vestígios quando acabava, seus baixos preços se deviam a abundancia com que podia ser encontrado no planeta vizinho. Mas agora era tudo diferente, só os veículos mais antigos ainda circulavam movidos a gasolina ou diesel e as casas passaram a ter uma crosta de fuligem em suas fachadas.
Miguel trouxe alguns especialistas e um dossiê com todas as informações que a investigação angariou até ali, alguns ministros achavam que a presença mais constante de Gabriel era necessária, mas ele achava que era imprescindível estar em Arkhiz.
A reunião não fora nada animadora e os invasores não haviam deixado pistas, mas uma coisa chamou a atenção de Gabriel, um dos engenheiros responsáveis pela construção do prédio do IACNTA garantiu aos ministros que o único com acesso suficiente para desligar todos os alarmes era o próprio imperador e que para que fosse possível era necessário que ele estivesse no prédio para reconhecimento de digital, olhos e voz, não haveria nenhuma outra possibilidade. O engenheiro ainda completou dizendo que o prédio tinha um sistema de autoincineração que também era de uso exclusivo do imperador com o mesmo tipo de segurança do desligamento dos alarmes.
“Eu vou mata-lo” pensou Gabriel

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