terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 6


Sentado no gabinete do imperador, Gabriel sentia-se invencível, era como se finalmente tivesse conseguido o que seu pai e seu avô tentaram por tanto tempo. Os outros ministros questionaram seus métodos e o fato de Gabriel ter citado que medidas tão controvérsias partiam de ordens do imperador, ele apenas disse que fez o que era necessário e que o povo teria menos questionamentos se acreditasse que o imperador estava ciente e aceitava as medidas. A equipe médica evitava dar notícias e ninguém sabia se o imperador sobreviveria a mais uma cirurgia que precisou ser realizada em caráter emergencial. Gabriel determinou o isolamento do hospital ao qual somente ele, a guarda imperial e a equipe médica teriam acesso. Acelerou as medidas de recrutamento e de ampliação dos quartéis e solicitou uma produção em massa de armas de última geração e aviões que só existiam em projetos do IACNTA. O clima nas cidades era o de um quartel general e todos especulavam sobre o porquê de tamanho movimento militar por parte do governo, fato é que os principais analistas começavam a adivinhar  os objetivos de tamanha ofensiva.
Robert e Hamir passaram os últimos três meses produzindo incessantemente vários projetos que Robert desenhara e Hamir não entendia.
Os frutos em Abiatar estavam cada vez mais suculentos e as árvores mais cheias de folhas, as cidades litorâneas estavam perdendo espaço para o mar que a cada dia ganhava um espaço a mais de terra. Nunca a pesca fora tão abundante e apesar do aumento nos furacões e de um aparente desequilíbrio do tempo  onde alguns locais enfrentavam mais chuvas que o normal e outros sofriam com secas inéditas, porém havia muito o que comemorar com a colheita recorde. A euforia não durou muito, pois a crise econômica sem precedentes em Acaz fez com que as exportações caíssem muito e elevou os preços dos produtos de tecnologia que advinham de lá a patamares inimagináveis.
Após três meses o imperador finalmente deixava o hospital sob forte esquema de segurança e sem nenhum comunicado oficial para evitar aglomerações. A comitiva seguiu diretamente ao palácio e mesmo debilitado o soberano convocou uma reunião com todos os seus ministros para ter a exata noção do que acontecia em seu império.
Muito havia mudado e os números que viu de nada lhe agradaram. Os presos por Gabriel não haviam ainda sido interrogados, o dinheiro sumia dos bolsos da população impulsionado pela quebra de inúmeras indústrias em virtude das medidas dos últimos tempos. Já começava a faltar comida aos mais pobres, pois os poucos importadores que se arriscaram a compra-la tinham custos bem maiores e cobravam preços exorbitantes que eram repassados pelos armazéns e mercados aos consumidores. Faltava emprego, pois a indústria, principal empregadora em Acaz, tinha parado de produzir para não saturar o mercado causando uma onda de demissões em todos os setores.
- Esta é uma situação a que não podíamos chegar. Por mais que os tempos sejam adversos e que eu tenha sido obrigado a tomar medidas contrarias a minha índole, vocês não poderiam ter sido tão irresponsáveis deixando as coisas chegarem a este ponto. Quando Acbar faleceu me senti perdido e em meio a meus devaneios, naquele hospital até achei que talvez a morte resolvesse muitos de meus problemas. Agora vejo o que minha ausência causou. Todos observaram apenas o problema geral e esqueceram que o povo tem necessidades. Um governo não é feito para fazer o melhor por nós ou satisfazer às nossas convicções pessoais e sim para fazer o melhor pelo povo a que ele serve. O governo só existe porque existe o povo e somos apenas servidores deles e não ao contrário. Não devemos manter um império simplesmente porque seu tamanho e sua imponência satisfazem ao nosso ego, ele deve existir porque é vontade do povo que nele vive e porque sua imponência e força proporciona uma vida melhor aos seus habitantes. O povo esta com fome e com medo do governo e é nossa obrigação corrigir este mal estar que nossa incompetência causou. Tomé, prepare minha viagem a Ajuá, tenho muitos assuntos a tratar por lá. Gabriel, quero todos os prisioneiros daquele seu ato repugnante que não tenham cometido crimes soltos, também quero os corpos que você confiscou devolvidos às famílias, exume se for necessário, você tem dois dias. E aproveite que temos quartéis em quase todas as cidades e prepare grandes armazéns. Quero 2.000 cargueiros prontos para partir assim que eu der a ordem. Apenas Tomé e a comitiva de praxe irão comigo, pois preciso de alguém para traduzir a língua daquele país. Claudio, como ministro da economia, espero sinceramente que tenha planos para reaquecer o mercado. Quanto aos outros; preciso de dados sobre a atual situação, temos que evitar que coisas piores aconteçam.
- Imperador, acha mesmo que devemos soltar os prisioneiros, eles podem retomar as revoltas e tornar as cidades novamente em campos de batalhas.
- Não ouse questionar minha autoridade Gabriel, apenas solte-os. É seu trabalho garantir a segurança do império sem prender pessoas inocentes. Espero que eu tenha sido claro.
- Sim senhor.
- Então o que estão esperando? Ainda estou vendo todos aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário