terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 21


“E se ela disse a verdade? E se Acaz estiver sob domínio Ajuá? O que eu faço? Não posso me render, isto seria dar a eles mais confiança, uma demonstração de fraqueza de um império. Não o farei, lutaremos. Mas como?”
Os pensamentos de Gabriel foram interrompidos pelo grito de uma multidão, gritavam como um exército que estava prestes a invadir um lugar. De repente o silêncio e em meio aos soldados passaram correndo alguns dos homens que sumiram no dia anterior, tinham um olhar mórbido e convidavam seus amigos a sair da tenda ver o que tinha do lado de fora. Gabriel e Miguel insistiam aos soldados que era um truque porem muitos cederam e saíram da tenda, em meio à confusão uma menina loira, que aparentava ter uns sete anos puxou a perna de Gabriel para obter sua atenção, quando ele olhou para ela, ela o chamou e disse em seu ouvido sussurrando:
- Tio, acho melhor vocês se renderem. Isto ainda vai ficar pior.
Gabriel deu um salto de pavor e a menina continuou andando e sumiu em meio aos soldados. Então os gritos voltaram junto ao barulho de tambores e cada vez que olhava havia menos soldados dentro da tenda. Com o olhar distante o general sacou a sua arma e apontou para a própria cabeça, estava prestes a disparar quando Miguel tomou a arma da mão dele.
- Você enlouqueceu?
- Não há o que fazer Miguel, não temos como vencer.
- Isto é mais que obvio, não sei porque ainda não nos invadiram.
- Eles querem nossa rendição.
- Hora, se é isto então porque não nos rendemos?
- Jamais Miguel, não perdemos ainda, as naves devem chegar amanhã e ainda estamos vivos, só me rendo morto.
- A decisão não é mais sua.
- Aonde vai?
Miguel foi andando na direção da entrada da tenda enquanto Gabriel sentado no chão chorava como uma criança, não gozava mais de pleno entendimento, estava possuído pelo medo e pelo orgulho que o acompanhava sempre. Os tambores permaneceram durante toda a noite e só pararam quando o sol começou a nascer.
- Senhor, Miguel desapareceu, assim como vários soldados. Fiz a contagem dos que ainda sobraram e contei duzentos e oitenta e seis. As armas sumiram todas.
- Agora me diga. Como espera que eu ganhe uma guerra se tenho soldados incompetentes o suficiente para perderem suas armas?
- Com todo respeito senhor, isto não é mais uma guerra, é um massacre e não temos chances de vencer.
- Você é um covarde.
- Tenho coragem quando é necessário, mas neste caso não há coragem que mude os fatos.
- Levante o acampamento, se nos apressarmos chegaremos antes de escurecer a Lísias.
- Lísias é uma cidade, somos um exército invasor e não temos armas.
- Lísias esta vazia, sobrevoamos ela várias vezes.
- A esta altura eu duvido que esteja. Provavelmente eles retiraram a população de lá somente para que acreditássemos nisto.
- Então o que sugere?
- Uns três quilômetros a oeste eu vi uma fazenda, possivelmente haja suprimentos por lá e não acredito que ofereçam resistência pela quantidade de homens que temos.
- Pois bem, vamos para lá então.
A conversa foi interrompida pela morena da noite anterior.
- Olá Gabriel. Pensou na minha proposta?
- Deixe de ser ridícula, nunca.
- Me deu um fora? Partiu meu coração.
- Você tem sorte de eu não te matar.
- Você nem vale a pena mesmo, é tão patético que só esta vivo porque Miguel te salvou. Por falar nisto, ele veio se render.
- Ele sempre foi um fraco.
- Todo seu exército pode se render, isto só vai parar quando você admitir que perdeu.
- Por que eu sou tão importante?
- Você não Gabriel. Lauro era, Acbar era, aquele jovem manifestante era o futuro da sua nação. Aquelas quatrocentas mil pessoas que você matou por não concordarem com você poderiam ser os maiores intelectuais de Acaz. O imperador confiava em você e o que você fez? Você manipulou os ministros para ter o poder para si. Mas não era o suficiente, você matou com suas mãos aqueles que discordaram do seu ato covarde. Você que chorou não poder enterrar seu avô, fez com que várias famílias não pudessem enterrar seus entes queridos. Você achava que seus crimes ficariam impunes? Nós sabemos de tudo e podemos ser generosos. Se você se render, todo este sofrimento pode acabar.
- Eu não irei me render, eu tenho trezentos soldados prontos a lutar até a morte por mim.
- Nós nos rendemos – Interrompeu o soldado que falava com Gabriel – eu e o restante do exército.
- Ops, Gabriel. Parece que agora é só você, não é?
- Vou esperar a chegada das naves com um exército digno.
- Já disse que seu planeta esta sob nosso controle. Mas se prefere assim durma, à noite eu volto ver se você mudou de ideia.
A moça fechou a mão direita, espremendo-a em frente a Gabriel e ele apagou na hora.

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