terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 22


Quando Gabriel acordou já era noite e Acaz estava alta no céu. A tenda não estava mais lá e não havia nenhum soldado, somente a fogueira e aquela linda mulher sentada em um pedaço de madeira.
- Já era hora de você acordar. Não acha que você dorme demais para um general?
Gabriel se levantou e sentou ao lado dela.
- O que quer aqui?
- Só vim te mostrar uma coisa.
- O que?
- Olhe aquela esfera no céu, muitos a chamam de casa, por aqui por muito tempo foi considerada uma deusa, chamavam-na de Ashimal, até que seu povo veio e explicou ser um planeta e passamos a chama-la de Acaz. Agora, Ashimal ameaça nossa vida e precisará deixar de existir.
- Do que você está falando?
- Você sabe do que estou falando, olhe bem para ela agora, tão bela e imponente no céu. Quem imaginaria que teríamos o poder de mata-la? Adeus Ashimal.
Quando a moça terminou de dizer estas palavras, Gabriel pode ver uma grande explosão e seu planeta natal se partindo em grandes pedaços, em seguida pequenas explosões fizeram os pedaços se desintegrarem e o chão sob seus pés tremeu fortemente, o céu ficou coberto de estrelas cadentes.
Gabriel estava apavorado, as lágrimas escorriam de seus olhos com as lembranças de uma terra tão rica e outrora poderosa.
- Como pode fazer isto?
- Você Gabriel, você foi a ruína de seu povo. Você é o único responsável por isto.
- Você nem existe, isto é um sonho, eu vou acordar daqui a pouco.
- Não Gabriel, você não está sonhando e eu nunca disse que eu não existia, sou Febe, sacerdotisa Etê.
- Por que esta fazendo isto?
- Porque você fez por merecer o sofrimento que agora passa.
- Chega, pare com isto. Eu me rendo. Chega!
Detrás da escuridão surgiam milhares de soldados, acazes, jibaoçús e ajuás, todos aplaudindo incessantemente aquilo que para eles era a vitória suprema. Gabriel sentiu o tamanho de sua desgraça, foi coberto e levado a uma aeronave que já o esperava. Na descida do aeroporto foi imediatamente algemado e colocado na parte traseira de um camburão que foi escoltado por vários veículos oficiais.
Gabriel notou que todos os veículos tinham placas de Acaz e para todo lado que olhava via cidadãos acazes e prédios em construção num ritmo frenético, mas havia muitas árvores e ruas de chão, com certeza não era Acaz.
- Onde estou? – Perguntou ao guarda que dirigia o carro
- Em território Acaz.
- Mas ...
- Sim, foi destruído, mas o imperador e o Dr. Robert já haviam negociado junto às três repúblicas um generoso território para transferência da nossa população, somos agora a quarta nação deste globo, segunda em extensão, maiores que o território Ajuá e com total soberania. O que o Sr. viu sendo desintegrado foi um planeta vazio. Estamos em “Nova Esperança” que é a cidade projetada para ser a nova capital de Acaz. Fica num pedaço de Abiatar que era parte do território Jibaoçú.
- Mas que tipo de povo cede território?
- Foi uma grande negociação. Eles não tinham como desintegrar Acaz, se ninguém fizesse todos morreríamos, então cada parte cedeu um pouco e achamos a melhor solução para todos. Ainda tem alguns ignorantes que acham que deveríamos ter feito guerra, mas provavelmente é porque não conhecem os Jibaoçú.
- E para onde estou indo?
- Ao presídio central, será o primeiro prisioneiro. Seu julgamento começa amanhã. Devia estar orgulhoso, pois a imprensa das quatro nações estará lá. Será o evento do século em Abiatar.
- É impressão minha ou todos resolveram ser sarcásticos comigo?
- Se eu pudesse te mataria com minhas próprias mãos pelo que fez em Uranak, perdi muitos parentes lá, mas temos uma constituição e infelizmente você precisa ser levado a julgamento. Ao menos eu posso ter a minha dose de vingança sendo sarcástico com você.
Gabriel emudeceu, não tinha ainda pensado sobre o ódio que angariou durante seu curto período de tempo no poder.

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