Quando Gabriel
acordou já era noite e Acaz estava alta no céu. A tenda não estava mais lá e
não havia nenhum soldado, somente a fogueira e aquela linda mulher sentada em
um pedaço de madeira.
- Já era
hora de você acordar. Não acha que você dorme demais para um general?
Gabriel se
levantou e sentou ao lado dela.
- O que
quer aqui?
- Só vim
te mostrar uma coisa.
- O que?
- Olhe
aquela esfera no céu, muitos a chamam de casa, por aqui por muito tempo foi
considerada uma deusa, chamavam-na de Ashimal, até que seu povo veio e explicou
ser um planeta e passamos a chama-la de Acaz. Agora, Ashimal ameaça nossa vida
e precisará deixar de existir.
- Do que
você está falando?
- Você
sabe do que estou falando, olhe bem para ela agora, tão bela e imponente no
céu. Quem imaginaria que teríamos o poder de mata-la? Adeus Ashimal.
Quando a
moça terminou de dizer estas palavras, Gabriel pode ver uma grande explosão e
seu planeta natal se partindo em grandes pedaços, em seguida pequenas explosões
fizeram os pedaços se desintegrarem e o chão sob seus pés tremeu fortemente, o
céu ficou coberto de estrelas cadentes.
Gabriel
estava apavorado, as lágrimas escorriam de seus olhos com as lembranças de uma
terra tão rica e outrora poderosa.
- Como
pode fazer isto?
- Você
Gabriel, você foi a ruína de seu povo. Você é o único responsável por isto.
- Você nem
existe, isto é um sonho, eu vou acordar daqui a pouco.
- Não
Gabriel, você não está sonhando e eu nunca disse que eu não existia, sou Febe,
sacerdotisa Etê.
- Por que
esta fazendo isto?
- Porque
você fez por merecer o sofrimento que agora passa.
- Chega,
pare com isto. Eu me rendo. Chega!
Detrás da
escuridão surgiam milhares de soldados, acazes, jibaoçús e ajuás, todos
aplaudindo incessantemente aquilo que para eles era a vitória suprema. Gabriel
sentiu o tamanho de sua desgraça, foi coberto e levado a uma aeronave que já o
esperava. Na descida do aeroporto foi imediatamente algemado e colocado na
parte traseira de um camburão que foi escoltado por vários veículos oficiais.
Gabriel
notou que todos os veículos tinham placas de Acaz e para todo lado que olhava via
cidadãos acazes e prédios em construção num ritmo frenético, mas havia muitas
árvores e ruas de chão, com certeza não era Acaz.
- Onde
estou? – Perguntou ao guarda que dirigia o carro
- Em
território Acaz.
- Mas ...
- Sim, foi
destruído, mas o imperador e o Dr. Robert já haviam negociado junto às três
repúblicas um generoso território para transferência da nossa população, somos
agora a quarta nação deste globo, segunda em extensão, maiores que o território
Ajuá e com total soberania. O que o Sr. viu sendo desintegrado foi um planeta
vazio. Estamos em “Nova Esperança” que é a cidade projetada para ser a nova
capital de Acaz. Fica num pedaço de Abiatar que era parte do território
Jibaoçú.
- Mas que
tipo de povo cede território?
- Foi uma
grande negociação. Eles não tinham como desintegrar Acaz, se ninguém fizesse
todos morreríamos, então cada parte cedeu um pouco e achamos a melhor solução
para todos. Ainda tem alguns ignorantes que acham que deveríamos ter feito
guerra, mas provavelmente é porque não conhecem os Jibaoçú.
- E para
onde estou indo?
- Ao
presídio central, será o primeiro prisioneiro. Seu julgamento começa amanhã.
Devia estar orgulhoso, pois a imprensa das quatro nações estará lá. Será o
evento do século em Abiatar.
- É
impressão minha ou todos resolveram ser sarcásticos comigo?
- Se eu
pudesse te mataria com minhas próprias mãos pelo que fez em Uranak, perdi
muitos parentes lá, mas temos uma constituição e infelizmente você precisa ser
levado a julgamento. Ao menos eu posso ter a minha dose de vingança sendo
sarcástico com você.
Gabriel
emudeceu, não tinha ainda pensado sobre o ódio que angariou durante seu curto
período de tempo no poder.
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