terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 18


Gabriel não podia acreditar em tamanha insolência, Miguel, percebendo o ódio nos olhos do soberano e sua consequente paralisia mediante a situação, foi imediatamente conferir as naves movidas a urânio ordenando que desligassem todos os reatores.
- Temos trezentos blindados, setecentos esqueletos e cento e cinquenta caças ainda funcionando, coincidentemente estavam todos desligados até agora.
- Ótimo, mas agora estamos em desvantagem, devemos esperar a noite, nossos equipamentos enxergam melhor a noite que os olhos deles.
- Temos mais um problema.
- O que houve?
- Trezentos soldados já desapareceram.
- Como?
- A maioria sumiu em rondas no entorno do acampamento, ninguém que andou sozinho voltou.
- Chega de rondas, ordene aos soldados que fiquem todos juntos. Temos algum radar de infravermelho?
- Tínhamos nove desligados no porão da nave principal.
- Certifique-se de que funcionam e coloque-os a vasculhar o entorno do acampamento. General, não quero mais notícias ruins. Faça as coisas direito desta vez.
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Ninguém mais suportava o mau humor de Gabriel, mas não era hora para rebelião, estavam em uma situação delicadíssima onde o inimigo havia virado o jogo sem disparar uma única bala.
A tarde foi de reparos nos equipamentos e chamava atenção algumas placas e chips que pareciam ter pegado fogo por baixo das carenagens das poderosas máquinas de Acaz. Nenhum rádio funcionava o que os deixou incomunicáveis, sem notícias da capital. As portas das naves que guardavam os caças tiveram seu mecanismo danificado assim como alguns caças impedindo a retirada e utilização dos que ainda funcionavam. O tempo passava e agora a prioridade era preparar-se para passar a noite ali, pois um ataque seria praticamente impossível naquelas condições e os ajuás poderiam estar preparando alguma coisa. Os radares infravermelhos a toda hora detectavam movimento, mas os soldados ainda não tinham tido contato visual com ninguém deste mundo estranho.
A noite começava a baixar, o silêncio e a calma que tomaram conta daquele lugar impressionavam os soldados, quanto mais escuro ficava mais percebiam que estavam indefesos e os poucos faróis que ainda funcionavam foram concentrados para que as principais tendas tivessem boa visibilidade. Vários soldados relatavam que escutaram um estranho e assustador canto vindo das margens do acampamento e mesmo entre os menos supersticiosos o comentário entre os soldados era de que os deuses não tinham aprovado a invasão e por isto enviaram os antepassados de Abiatar para evitar a guerra. Algumas reações beiravam a histeria e ninguém sabia dizer com certeza como tantos equipamentos haviam simplesmente deixado de funcionar.
Gabriel e Miguel convocaram uma reunião na tenda central do acampamento, tentavam acalmar os ânimos, mas o que encontraram foram soldados apavorados ansiosos por uma explicação aos fenômenos que estavam acontecendo. O ministro pediu calma, pois um exército tem que enfrentar suas batalhas de cabeça erguida e unido, de outro modo a derrota é iminente. Ele explicou os planos que tinha preparado para aquela situação e pediu a colaboração de todos para que a vitória fosse possível.
Neste momento as luzes se apagaram, um forte vento sacudiu a lona do acampamento e a canção em língua estranha que os soldados ouviam a beira do acampamento passou a ser escutada ali dentro, em pontos mais iluminados era possível ver a silhueta de pessoas de mãos dadas fazendo uma ciranda ao redor da tenda, a musica arrepiava a espinha de todos e alguns soldados correram apavorados, Gabriel pedia calma em vão, os soldados atiravam contra as sombras, mas a ciranda não parava e quem saia da tenda não retornava. Tentou dar a ordem de que permanecessem ali, juntos, mas cada vez mais os soldados estavam amedrontados de maneira que até Miguel desapareceu escondido em baixo de uma mesa. Oitocentos mil soldados desembarcaram em Abiatar, naquela tenda havia agora apenas quinze mil, completamente apavorados junto ao seu centro.

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