terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 17


O sol começava a nascer quando as naves chegaram, milhares delas. O pouso quase simultâneo por sobre as plantações e o campo de Lísias e o rápido desembarque dos soldados não deixava dúvidas da intenção dos visitantes. Homens montados em esqueletos de metal abriam caminho, seguidos por tanques e a infantaria com suas metralhadoras. Estranhamente não havia ninguém nas ruas nem no campo, nenhuma pessoa, nenhum soldado, absolutamente nada, os soldados prepararam o acampamento e o centro de comando e as grandes naves que levavam os caças pousaram.
A decisão de não atacar partiu de Gabriel que não achava estranho aquela ausência, pois se fosse ele em tamanha desvantagem também preferiria se esconder. Ele achava que o exército poderia ser mais efetivo se tivesse tempo de se organizar para atacar simultaneamente por terra e por ar. Os soldados vasculharam cada beco e casa em Lísias, tudo estava vazio e não havia eletricidade em nenhum lugar da cidade. Os espiões não davam notícias e vendo os fatos Miguel se sentia incomodado, não parecia que qualquer povo se renderia desta maneira.
- Gabriel, isto não é normal.
- Claro que não é Miguel, mas eles sabem da nossa supremacia e por isto se esconderam, nenhum soldado estaria disposto a combater um exército deste tamanho.
- E o que faremos? Qual seu plano?
- Mande incendiarem Lísias. Será um exemplo para as próximas cidades e facilitará o domínio pelo medo.
Um dos generais correu apressado na direção dos dois:
- Senhor, nenhum dos equipamentos responde aos comandos.
- Que equipamentos?
- Todos, computadores de bordo, navegadores, radares, blindados, absolutamente nada, nenhum eletrônico está funcionando.
- Descubra o que esta acontecendo e conserte logo.
- Sim, senhor.
- Miguel
- Sim
- O que esta esperando pra incendiar a cidade?
- Os lanças chamas estão nos esqueletos de metal.
- E?
- São eletrônicos, também pararam de funcionar.
- Você é muito incompetente. Descubra o que está acontecendo e ponha os soldados em prontidão.
Seis aeronaves passaram rasantes por sobre o campo de Lísias, chegaram silenciosas e não atiraram, apenas soltaram panfletos e sumiram da mesma maneira que apareceram. Nos panfletos o povo Ajuá saudava os visitantes e citava que o povo daquele planeta desejava a paz, sabiam do problema em Acaz e tinham uma solução melhor para eles do que a guerra. O texto orientava ao exército que desligasse seus reatores a urânio cujos alarmes de superaquecimento e os dissipadores não deviam estar funcionando a esta altura transformando-os em verdadeiras bombas relógio, citava também que ficassem tranquilos, pois aquela guerra acabaria com pouquíssimas baixas, já que sangue o suficiente fora derramado. No final do panfleto havia uma frase famosa em Abiatar atribuída ao grande general Lísias: “A derrocada de um povo se inicia na fraqueza de seus líderes”.

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