O sol começava a nascer quando as
naves chegaram, milhares delas. O pouso quase simultâneo por sobre as
plantações e o campo de Lísias e o rápido desembarque dos soldados não deixava
dúvidas da intenção dos visitantes. Homens montados em esqueletos de metal
abriam caminho, seguidos por tanques e a infantaria com suas metralhadoras.
Estranhamente não havia ninguém nas ruas nem no campo, nenhuma pessoa, nenhum
soldado, absolutamente nada, os soldados prepararam o acampamento e o centro de
comando e as grandes naves que levavam os caças pousaram.
A decisão de não atacar partiu de
Gabriel que não achava estranho aquela ausência, pois se fosse ele em tamanha
desvantagem também preferiria se esconder. Ele achava que o exército poderia
ser mais efetivo se tivesse tempo de se organizar para atacar simultaneamente
por terra e por ar. Os soldados vasculharam cada beco e casa em Lísias, tudo
estava vazio e não havia eletricidade em nenhum lugar da cidade. Os espiões não
davam notícias e vendo os fatos Miguel se sentia incomodado, não parecia que
qualquer povo se renderia desta maneira.
- Gabriel, isto não é normal.
- Claro que não é Miguel, mas eles
sabem da nossa supremacia e por isto se esconderam, nenhum soldado estaria
disposto a combater um exército deste tamanho.
- E o que faremos? Qual seu plano?
- Mande incendiarem Lísias. Será um
exemplo para as próximas cidades e facilitará o domínio pelo medo.
Um dos generais correu apressado na
direção dos dois:
- Senhor, nenhum dos equipamentos
responde aos comandos.
- Que equipamentos?
- Todos, computadores de bordo,
navegadores, radares, blindados, absolutamente nada, nenhum eletrônico está
funcionando.
- Descubra o que esta acontecendo e
conserte logo.
- Sim, senhor.
- Miguel
- Sim
- O que esta esperando pra incendiar
a cidade?
- Os lanças chamas estão nos
esqueletos de metal.
- E?
- São eletrônicos, também pararam de
funcionar.
- Você é muito incompetente. Descubra
o que está acontecendo e ponha os soldados em prontidão.
Seis aeronaves passaram rasantes por
sobre o campo de Lísias, chegaram silenciosas e não atiraram, apenas soltaram
panfletos e sumiram da mesma maneira que apareceram. Nos panfletos o povo Ajuá
saudava os visitantes e citava que o povo daquele planeta desejava a paz,
sabiam do problema em Acaz e tinham uma solução melhor para eles do que a
guerra. O texto orientava ao exército que desligasse seus reatores a urânio
cujos alarmes de superaquecimento e os dissipadores não deviam estar
funcionando a esta altura transformando-os em verdadeiras bombas relógio,
citava também que ficassem tranquilos, pois aquela guerra acabaria com
pouquíssimas baixas, já que sangue o suficiente fora derramado. No final do
panfleto havia uma frase famosa em Abiatar atribuída ao grande general Lísias:
“A derrocada de um povo se inicia na fraqueza de seus líderes”.
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