terça-feira, 22 de maio de 2012

Rota de Colisão - Capitulo 14


Gabriel estava ensandecido, saiu sem norte, próximo a seu carro viu um jovem manifestante que lhe gritava palavras de ordem, deu socos e chutes no jovem em frente a câmeras e a populares, só parou quando foi contido pelos militares que faziam a guarda do palácio. Dirigiu-se diretamente ao aeroporto onde pegou um voo para Arkhiz, iria preparar o exército para a batalha e agora seria questão de honra.
Por todo império pessoas sumiam misteriosamente e a imprensa atribuía o fato ao governo, a imagem do ministro espancando o jovem correra as emissoras e as revoltas se espalharam. Uma semana depois o jovem morreu no hospital e o caos se tornou incontrolável na capital, o exército fazia o que podia, mas a população cercou o palácio, queria a cabeça do imperador que foi retirado do local junto com os documentos mais importantes pelos militares em três helicópteros que o levaram juntamente com Ana ao aeroporto. Lá esperavam todos os ministros e assim que o soberano chegou o voo partiu rumo a Arkhiz, recém-nomeada por Gabriel a nova capital do império.
Meia hora após a retirada do imperador, o palácio foi tomado por populares que quebraram tudo que encontraram e assassinaram os militares que faziam a guarda do local, Uranak fora tomada pelos rebeldes, assim como os quartéis e cidades próximas, metade das cidades do ocidente estava fora de controle e uma coalizão de rebeldes proclamou a República Popular de Acaz chamando o restante do império a também subjulgar as tropas e dar o poder ao povo. Gabriel fez a única coisa que sabia fazer e em uma resposta rápida ordenou o bombardeio das cidades rebeladas matando quatrocentas mil pessoas. A notícia acalmou os ânimos e fez com que as revoltas cessassem em todo império.
Quatro ministros, entre eles Tomé, foram assassinados friamente em frente aos outros por não concordarem com os bombardeios, eles achavam que o povo tinha o direito de se rebelar, Gabriel não concordava. Diariamente os aviões sobrevoavam as cidades para ter certeza de que estavam desertas e qualquer um que fosse visto andando por elas, corria o sério risco de ser atacado por um deles. O imperador e Ana foram colocados em aposentos minúsculos dentro da base de Arkhiz, a porta abria somente por fora e Gabriel era o único que tinha a chave.
O ministro entrou nos aposentos do imperador com ar de supremacia, encontrou-o dormindo e o sacudiu para que acordasse.
- Acordou grande imperador? As coisas mudam sabe? Acaz é prova disso. Não preciso mais me esconder atrás de seus passos, agora sou eu quem manda em Acaz. Você sabe por quê? Porque você não teve fibra, você não teve força para fazer o que era necessário. O povo precisava de um verdadeiro líder e estou mostrando a eles o que é ter um governo de verdade, não aquela coisa branda que você chamava de poder. O povo teme a mim e por isto me obedece, você os deixou tão mal acostumados que precisei lidar com revoltas por todos os cantos. Tudo bem, nada que nosso poderio bélico não resolva, ops, meu poderio bélico. Bom, deve estar se perguntando o que vim fazer aqui. Vim lhe dizer que você perdeu, que estou agora pronto a iniciar a guerra contra Abiatar e lá construir meu império. Meu, porque você não será mais imperador, eu serei. Vim olhar o seu rosto quando perceber que eu te venci. Você é patético, acho até que já sabia desde o começo, quase cinco meses sem sair desta cama, sabendo que eu tinha o controle do seu império sem reagir, você só esta vivo porque eu tive clemência.
- Você não sabe de nada Gabriel, acha que venceu, mas não percebeu que o teto que te cobre não tem bases e que o chão que você pisa não tem alicerces.
- Você não é o imperador, onde ele está?
- Do que esta falando? Além de tudo agora se embriaga.
- Conheço bem o Imperador, cresci com ele, conheço seus trejeitos e seus traços, sua semelhança é impressionante a ponto de enganar a muitos, mas a mim você não engana. Onde esta o imperador?
- Hora, na minha frente, você acabou de se autoproclamar soberano. Ou eu escutei errado?
- Vou perguntar só mais uma vez. Onde ele está?
- O imperador sou eu, mas se você prefere que eu participe dos seus devaneios acho que agora é a hora em que devo dizer: “A salvo, longe de você, esperando isto tudo acabar”. É isto que você queria ouvir? Acho melhor eu repetir a cena, não ficou legal.
- Resposta errada.
Gabriel saiu da sala e ordenou ao guarda da porta:
- Mate os dois.
- Mas senhor.
- Não discuta, de preferência leve pra fora para não sujar os tapetes.

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