Gabriel
estava ensandecido, saiu sem norte, próximo a seu carro viu um jovem
manifestante que lhe gritava palavras de ordem, deu socos e chutes no jovem em
frente a câmeras e a populares, só parou quando foi contido pelos militares que
faziam a guarda do palácio. Dirigiu-se diretamente ao aeroporto onde pegou um
voo para Arkhiz, iria preparar o exército para a batalha e agora seria questão
de honra.
Por todo
império pessoas sumiam misteriosamente e a imprensa atribuía o fato ao governo,
a imagem do ministro espancando o jovem correra as emissoras e as revoltas se
espalharam. Uma semana depois o jovem morreu no hospital e o caos se tornou
incontrolável na capital, o exército fazia o que podia, mas a população cercou
o palácio, queria a cabeça do imperador que foi retirado do local junto com os
documentos mais importantes pelos militares em três helicópteros que o levaram
juntamente com Ana ao aeroporto. Lá esperavam todos os ministros e assim que o
soberano chegou o voo partiu rumo a Arkhiz, recém-nomeada por Gabriel a nova
capital do império.
Meia hora
após a retirada do imperador, o palácio foi tomado por populares que quebraram
tudo que encontraram e assassinaram os militares que faziam a guarda do local,
Uranak fora tomada pelos rebeldes, assim como os quartéis e cidades próximas,
metade das cidades do ocidente estava fora de controle e uma coalizão de
rebeldes proclamou a República Popular de Acaz chamando o restante do império a
também subjulgar as tropas e dar o poder ao povo. Gabriel fez a única coisa que
sabia fazer e em uma resposta rápida ordenou o bombardeio das cidades rebeladas
matando quatrocentas mil pessoas. A notícia acalmou os ânimos e fez com que as
revoltas cessassem em todo império.
Quatro
ministros, entre eles Tomé, foram assassinados friamente em frente aos outros
por não concordarem com os bombardeios, eles achavam que o povo tinha o direito
de se rebelar, Gabriel não concordava. Diariamente os aviões sobrevoavam as
cidades para ter certeza de que estavam desertas e qualquer um que fosse visto
andando por elas, corria o sério risco de ser atacado por um deles. O imperador
e Ana foram colocados em aposentos minúsculos dentro da base de Arkhiz, a porta
abria somente por fora e Gabriel era o único que tinha a chave.
O ministro
entrou nos aposentos do imperador com ar de supremacia, encontrou-o dormindo e
o sacudiu para que acordasse.
- Acordou
grande imperador? As coisas mudam sabe? Acaz é prova disso. Não preciso mais me
esconder atrás de seus passos, agora sou eu quem manda em Acaz. Você sabe por
quê? Porque você não teve fibra, você não teve força para fazer o que era
necessário. O povo precisava de um verdadeiro líder e estou mostrando a eles o
que é ter um governo de verdade, não aquela coisa branda que você chamava de
poder. O povo teme a mim e por isto me obedece, você os deixou tão mal
acostumados que precisei lidar com revoltas por todos os cantos. Tudo bem, nada
que nosso poderio bélico não resolva, ops, meu poderio bélico. Bom, deve estar
se perguntando o que vim fazer aqui. Vim lhe dizer que você perdeu, que estou
agora pronto a iniciar a guerra contra Abiatar e lá construir meu império. Meu,
porque você não será mais imperador, eu serei. Vim olhar o seu rosto quando
perceber que eu te venci. Você é patético, acho até que já sabia desde o
começo, quase cinco meses sem sair desta cama, sabendo que eu tinha o controle
do seu império sem reagir, você só esta vivo porque eu tive clemência.
- Você não
sabe de nada Gabriel, acha que venceu, mas não percebeu que o teto que te cobre
não tem bases e que o chão que você pisa não tem alicerces.
- Você não
é o imperador, onde ele está?
- Do que
esta falando? Além de tudo agora se embriaga.
- Conheço
bem o Imperador, cresci com ele, conheço seus trejeitos e seus traços, sua
semelhança é impressionante a ponto de enganar a muitos, mas a mim você não
engana. Onde esta o imperador?
- Hora, na
minha frente, você acabou de se autoproclamar soberano. Ou eu escutei errado?
- Vou
perguntar só mais uma vez. Onde ele está?
- O
imperador sou eu, mas se você prefere que eu participe dos seus devaneios acho
que agora é a hora em que devo dizer: “A salvo, longe de você, esperando isto
tudo acabar”. É isto que você queria ouvir? Acho melhor eu repetir a cena, não
ficou legal.
- Resposta
errada.
Gabriel
saiu da sala e ordenou ao guarda da porta:
- Mate os
dois.
- Mas
senhor.
- Não
discuta, de preferência leve pra fora para não sujar os tapetes.
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