Quando o dia amanheceu, Acaz pode ver o tamanho das
labaredas, Gabriel tinha muito com o que se preocupar, Miguel desaparecido, os
arquivos do IACNTA que foram perdidos, o motivo pelo qual os alarmes não
dispararam. Era tudo muito desconexo e enquanto esperava os principais
investigadores do império recebeu uma ligação, a voz estava um pouco fraca, mas
ele pode reconhecer, era Miguel:
- Gabriel, socorro.
- Onde você esta?
- Estou no hangar 75, estamos todos amarrados,
meu celular tem comando de voz e eles não devem ter percebido que estava no meu
bolso.
- Fique tranquilo, estamos indo para ai. Quem
fez isto?
- Não sei. Tudo que lembro é do ar ter ficado
pesado de respirar e de ser acometido de um sono profundo, então acordei aqui.
Gabriel, este hangar guardava as 40 aeronaves mais modernas do império, as
últimas que o IACNTA ajudou a construir debaixo de suas ordens. O hangar agora
esta vazio, há somente pessoas amarradas neste lugar.
- Maldição Miguel. Não quero que ninguém saia
dai, vou interrogar um por um, alguém tem que ter visto alguma coisa.
- Estamos todos amarrados, não vamos a lugar
algum.
--
Centenas de veículos oficiais foram ao complexo
militar, Gabriel fez questão de estar presente em todos os interrogatórios, os
soldados do complexo estavam ali, assim como os 150 funcionários que sumiram do
IACNTA. Chamou atenção de Gabriel a presença de dois homens que não se
enquadravam em nenhum dos dois casos, porem não os chamou imediatamente.
O jornal da manhã chegou com a notícia
bombástica do incêndio no prédio do IACNTA e da suspensão quase simultânea das
autorizações de voos pelo comando central do exército. Enfatizaram que ainda
àquela hora os pilotos não obtinham sucesso na comunicação com o controle aéreo
nacional. Foi então que Gabriel percebeu que não teria como saber o destino de
suas aeronaves porque todo controle aéreo daquela região do império era
responsabilidade daquela única base. Não era exagero dizer que os aviões de um
terço de Acaz estavam no chão esperando autorização para decolar e muitos
advindos de outras regiões não decolavam porque não teriam onde pousar.
Imediatamente ordenou que os soldados responsáveis por este setor viessem a
interrogatório para serem liberados para as funções.
Gabriel fora informado que das aeronaves da
base somente três cargueiros não haviam desaparecido, deu ordem que deixassem
todos os caças do império de prontidão para um eventual ataque e que mapeassem
tudo que fora roubado para que outras bases não permitissem o pouso de inimigos
em aeronaves aliadas. Interrogou os oficiais do controle aéreo e os liberou.
Chamou ao interrogatório um homem que lhe prendeu a atenção, pois usava um uniforme
parecido com o de um policial:
- Seu nome.
- Vieira
- Do que lembra Vieira.
- Eu estava no saguão, fazendo minha ronda, próximo
ao hall de entrada quando desmaiei e acordei aqui.
- Hall de entrada?
- Sim, próximo à bilheteria da exposição.
- Que exposição?
- Hora, a do museu imperial.
Gabriel ficou perplexo, “Por que o museu
imperial?”, o império havia sido atacado em seu coração e ele não sabia por
quem e nem mesmo tinha uma noção exata da extensão do ataque e agora nem mesmo
dos objetivos, porem uma coisa estava clara, levaria tempo a repor a esquadra
com força suficiente para o ataque que ele planejava. Miguel entrou no hangar
apressado e solicitou a Gabriel um segundo de sua atenção em particular.
- São oito bases sem contato e este número não
para de crescer.
- Do que você esta falando?
- Não consegui contato com a área 32 para a
preparação dos caças, então tentei contato com os quartéis próximos e percebi
que vários deles não respondiam, a coincidência é que todos os que não
respondem são quartéis que guardam nossas aeronaves bélicas e a pior parte é
que ainda há quartéis perdendo comunicação.
- Coloque todos em prontidão, nenhum avião
decola a não ser os nossos e derrube qualquer aeronave que se recusar a pousar.
Autorize nossos soldados a matar qualquer um que chegue perto demais de um
quartel e faça isto logo.
- Imediatamente.
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