Vários acordos foram selados e o imperador estava pronto para
partir, porém decidiu visitar alguns lugares e acompanhar o embarque dos
produtos antes. Deu ordens a Gabriel que enviasse os aviões e que preparasse os
galpões para receber os mantimentos. Ao ministro do bem estar social, ordenou
que organizasse a distribuição gratuita aos mais pobres e a venda a preços
simbólicos aos armazéns, com o compromisso de revenda a baixos valores,
para recuperar a economia e evitar a quebra dos mesmos. Os aviões também
deveriam trazer consigo o malote de pagamento ao governo Ajuá, o que agilizaria
o repasse aos produtores e solucionaria a crise estabelecida nas duas nações.
Thomé fora enviado antes para levar as ordens e preparar os pagamentos.
Tudo correu exatamente como planejado e o
imperador se dirigia ao aeroporto quando a comitiva foi interceptada por um
veículo rural. Toda guarda imperial apontou suas armas na direção do veículo e
o homem que o dirigia saiu com os braços erguidos, mostrando que estava
desarmado, mas que precisava urgentemente falar com o imperador.
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O voo até Acaz fora tranquilo como só as
melhores aeronaves do império poderiam proporcionar. Já no aeroporto o
imperador pediu que apenas alguns da guarda imperial o acompanhassem até o
palácio. Entrou apressado e foi conduzido diretamente a seu gabinete onde deu
ordens de que somente Ana, sua secretária, teria contato com ele dali por
diante. Solicitou imediatamente ao ministério da defesa que disponibilizasse
dezesseis soldados de confiança que substituiriam sua guarda imperial que teve
conduta imprópria durante a viagem.
Gabriel obedeceu imediatamente às ordens, mas
Ana não permitiu sua entrada ao gabinete orientando que eram ordens do soberano
e que a partir daquele momento ele repassaria a ela os decretos com o selo
imperial, pois não desejava receber ninguém. Gabriel achou melhor assim e
estava impressionado com a sorte que tivera, o imperador tinha feito exatamente
o que ele queria e após conversa com os ministros decidiram que nem mesmo Ana
precisaria saber que as ordens do imperador não seriam seguidas.
Contrataram um jornalista que teria a
atribuição de criar as noticias que seriam veiculadas dentro do palácio. Os
soldados tiveram ordens de impedir a saída e entrada de todos que não fossem
previamente autorizados por Gabriel e informaram a Ana que para segurança dela
e do imperador nenhum dos dois poderia deixar o local até segunda
ordem. Ana concordou prontamente dizendo acreditar que seria melhor assim.
Todos os ministros foram unânimes em dizer que
apesar do golpe, já que o imperador tinha dado aquelas ordens, sua privacidade
e seu gabinete precisariam ser respeitados por todos. Gabriel concordou por
saber que negar seria desrespeitar o próprio império e por em risco o prestígio
e o poder que conquistara. Ficou decidido também que ordens do imperador que
não pusessem em risco as necessidades do plano militar seriam acatadas.
Após
seis meses da catastrófica descoberta, Gabriel tinha finalmente o poder e seu
exército estava quase pronto a iniciar a tomada de Abiatar. Seria ele o maior
general de sua família fazendo o que seu avô não conseguiu e o que seu pai não
teve oportunidade de fazer.
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